O Grupo Majestic 12: Realidade Documental ou Fraude Elaborada?
A narrativa em torno do Majestic 12 (MJ-12) persiste como um dos enigmas mais polarizadores na casuística ufológica e na história da inteligência militar. Documentos supostamente desclassificados, que emergiram na década de 1980, detalham a existência de um comitê secreto de alto nível, encarregado de investigar e acobertar incidentes envolvendo UAPs (Fenômenos Aéreos Não Identificados), incluindo a recuperação de tecnologia exótica. Todavia, a ausência de validação oficial incontestável e as inconsistências forenses levantam a questão central: estamos diante de uma operação de inteligência genuína ou de uma das mais elaboradas fraudes da história?
A Gênese Documental e Suas Contradições
Os primeiros documentos atribuídos ao Majestic 12 vieram à tona em 1984, enviados anonimamente ao pesquisador Jaime Shandera. Entre eles, destacavam-se o ‘Briefing Document for President-Elect Eisenhower’ e o ‘Memorandum for General Twining’, ambos datados de 1952. Estes papéis descreviam um grupo composto por doze proeminentes cientistas, militares e oficiais de inteligência, supostamente formado após o incidente de Roswell em 1947.
Em nossas análises, a imediata desconfiança surge da própria proveniência. Arquivos como os do Arquivo Nacional (Fundo BR DFANBSB ARX) e os relatórios da Força Aérea Brasileira (FAB), que detalham minuciosamente a organização de comitês de investigação de fenômenos aéreos no Brasil, demonstram um rigor documental que contrasta com a natureza dos documentos MJ-12. A ausência de selos oficiais de segurança, a tipografia questionável e as assinaturas que não correspondem a padrões conhecidos de oficiais da época são pontos de atenção.
Análise Forense e o Ceticismo Oficial
A comunidade de inteligência, incluindo o FBI e a CIA, declarou publicamente que os documentos MJ-12 são forjados. Em 1989, o FBI conduziu uma investigação que concluiu que o ‘Briefing Document’ era fraudulento, citando a inconsistência do tipo de papel e a formatação. Posteriormente, análises de especialistas em paleografia e documentoscopia apontaram falhas significativas:
- Tipografia Anacrônica: O uso de certas fontes de máquina de escrever e espaçamentos não correspondia aos padrões da época de suposta criação dos documentos.
- Assinaturas Dúbias: As assinaturas de figuras como o Almirante Roscoe Hillenkoetter, então Diretor da CIA, não batiam com seus autógrafos conhecidos em documentos oficiais autenticados.
- Terminologia Inconsistente: Certos termos e acrônimos utilizados nos documentos não eram comuns ou sequer existiam no léxico militar e de inteligência da década de 1950.
Em contrapartida, defensores da autenticidade sugerem que estas inconsistências poderiam ser parte de uma operação de contra-inteligência ou um ‘plant’ intencional para descredibilizar a informação. Todavia, sob a ótica documental, a evidência primária aponta para a inautenticidade.
O Impacto na Investigação de UAPs e a Perspectiva Técnica
Independentemente de sua autenticidade, a mitologia do Majestic 12 teve um impacto profundo na percepção pública e na pesquisa de UAPs. Ela solidificou a ideia de um acobertamento governamental massivo, desviando, em alguns casos, o foco de análises mais rigorosas de dados empíricos.
Em nossas investigações no Planeta UFO, priorizamos a assinatura de radar, a análise de vetores de voo e a compatibilidade com as leis da física para discernir o genuinamente anômalo. Casos como o do ‘NIMROD’ no Brasil (1986), com múltiplos contatos radar e testemunhos militares, oferecem um contraste metodológico claro com a natureza dos documentos MJ-12.
A AARO (All-domain Anomaly Resolution Office) do Pentágono e a NASA UAP Study hoje buscam dados concretos – como telemetria, vídeos de sensores e relatórios de pilotos – para entender a hipótese de inteligência por trás de UAPs, sem se basear em documentos de proveniência duvidosa.
Visão de Inteligência: Além da Fraude Simples
Ao cruzarmos os dados disponíveis, a persistência da narrativa do Majestic 12 levanta uma questão intrigante: mesmo que os documentos sejam falsos, a ideia por trás deles – um grupo secreto lidando com tecnologia não humana – poderia ter servido a propósitos de desinformação ou como um ‘ensaio’ para testar a reação pública a cenários de contato. Uma operação de contra-inteligência poderia ter fabricado tais documentos para obscurecer investigações reais ou para camuflar o desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais avançadas (APRs, Advanced Propulsion Research) que poderiam ser confundidas com UAPs. A complexidade da narrativa e a inclusão de nomes de figuras históricas reais sugerem um nível de sofisticação que transcende uma simples falsificação amadora, apontando para a possibilidade de uma operação psicológica (PSYOP) mais ampla, cujo objetivo final ainda está sob escrutínio.